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Mensagens

Unicórnio domado I

Escolhi chegar mais cedo, com o desejo de que o tempo de espera abrandasse a inquietude interna. Sentei-me num dos bancos, do lado menos movimentado da estação. A intenção era manter-me em discrição, apenas observar. Queria-a admirar de longe, quando chegasse. Queria-a ver procurar-me com o olhar. Imaginava o quanto estaria ela ansiosa na longa viagem. Seria o desejo dela por este encontro tão desmedido como o meu?

Fiquei novamente com a sensação de estar a viver no limbo. Esse mesmo sentimento a causa do nosso primeiro arrufo e afastamento precoce. Mania da desconfiança!

Fez mais de um par de anos desde que conversamos, continuadamente durante um mês, num chat, até nos voltarmos a cruzar no mundo cibernético. Não foram as fotos que me cativaram pois ela não tinha as curvas desnorteadoras e as poses não eram carregadas de sensualidade. Foi uma simples mini t-shirt, estampada com um dos meus desenhos animados preferidos, o mote do primeiro tema. Surpreendi-a logo aí. Ela deixou-se con…

Assim nasce ... uma cruzada iluminada!

É na viragem do ano que muitas pessoas refletem sobre o balanço do mesmo. Não o costumo fazer mas é quase inevitável não pensar no tema. Prefiro outra altura, também marcante mas mais pessoal, só minha. Sigo o lema: Um ano novo é quando o Homem quer! (adaptação) - afinal os orientais não comemoram na mesma altura que os ocidentais (sendo o próximo a 5 de Fevereiro) e há algum tempo atrás, antes do calendário gregoriano, o ano novo era celebrado apenas a 1 de Abril!
Os últimos tempos têm sido intensos em crescimento, em emoções em ... viver! Devota do conceito mindfulness, tento usufruir muito mais do momento, talvez seja o amadurecimento a dar ares da sua graça. Quando revivo o passado, sinto uma espécie de ritual de conclusão e por isso, abominando as despedidas, dediquei-me menos a este cantinho de ócio. O monopólio pelos momentos e memórias é cada vez mais renitente.

Comum a qualquer ser, aqui ao outro lado do globo, recordo o drama, a doçura, alegria, amizades que se firmaram e o…

Mudam-se os tempos mas nem sempre se mudam as vontades!

Recordo frequentemente da principal definição do meu "eu" - na adolescência. É certo; este processo é algo bem mais complexo, não se definindo apenas numa determinada etapa. Inicia-se desde as primeiras horas de vida mas é a adolescência a detentora do momento chave: o reconhecimento de quem somos!
Recentemente, vivi uma noite que trouxe à memória um dos meus maiores desejos desde que me lembro de quem sou e quem quero ser: viver em comunidade, aceitando as dicotomias e divergências de todos e os mesmos respeitando, não julgando, as minhas opções! Essa noite vive na minha mente constantemente, digna do slogan internacional - "Yes, we can!"

O tema era arrojado e, por si só, cativou-me logo à partida. No entanto, imaginei-me retraída e muito mais observadora do que na realidade aconteceu. Além dos amigos e conhecidos habituais fiquei surpreendida com outras pessoas muito queridas, conhecidas noutras bandas. As pessoas fazem sempre a diferença!
A multiplicidade do e…

Ansiada massoterapia

A semana carregada em drama, os planos desfeitos, o novo desporto intenso (ideal para alivio do stress, mas potencial para contraturas) originaram uma tensão extra na zona lombar e cervical. Pedinchei, por uma massagem, por dias e quando menos esperava, ele satisfez o meu pedido.

Afinal, a massagem é uma das mais antigas e simples formas de terapia, acessível a qualquer um. Com origens no Oriente, há registos do uso das técnicas de massagem na China, Japão, Egipto e Pérsia, há mais de 5000 anos. O mais antigo livro sobre o tema é de 3000 a.c., é Chinês e foi trazido para a Europa na língua francesa.
Durante uma sessão de massagem, há uma redução do cortisol, hormona, em altos níveis quando há stress. Entretanto, também há o aumento da dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer, motiva a sensação de relaxamento e bem estar após uma destas sessões. Por estas razões, não me surpreendeu a justificação da Igreja, quando na Idade Média causou a interrupção do uso da m…

Habitual serão genuíno

Recentemente alguém se surpreendia com uma das nossas brincadeiras; apanhados em toques de tornozelos sob a mesa, ouvimos: "Isso não é normal! Se fossem um casalinho juntos há um mês,entendia-se, agora vocês?!" - Gargalhei e fui capaz de uma resposta arrojada:

- "Vocês nem imaginam! Com o tempo isto só melhora!"
Estavas particularmente carente durante o jantar. Provavelmente, o vestido novo de tecido fino, denunciava a ausência de vestes interiores e isso terá sido apenas a acendalha das brincadeiras. Às vezes desejo que sejam assim todos os casais que conhecemos, desde familiares a amigos, vizinhos e conhecidos. Acho completamente saudáveis estes momentos de boa disposição no final de um dia rotineiro. Gosto de imaginar todos os casais felizes no regresso a casa, o derradeiro momento relaxante do dia a dia. 
Entretanto, naquele dia  estavas mais endiabrado. Mesmo com gente em casa, não resistias a provocar-me a pele sempre que por mim passavas. Depois do janta…

Intensos expectadores na natureza

Hoje a caminhada foi mais longa do habitual. Iniciei mais cedo, acordei com muita energia talvez pelos dias primaveris que finalmente chegaram. Entretanto, lembro: há muito que desejo conhecer a praia dos pescadores.

Consegui chegar mesmo na hora do arrasto artesanal do peixe. Observo todo o reboliço de longe e admiro todo o trabalho duro dos homens do mar. No entanto, após alguns momentos sinto o sol mais quente e preciso descansar um pouco. Embrenho-me um pouco na vegetação até encontrar o local ideal para sentar e relaxar com a brisa marítima a misturar-se com a frescura verde matinal.

Quando a azáfama acalma um pouco oiço um carro a parar perto. Consigo vislumbrar por entre os fetos do meu lado esquerdo, um jipe que estaciona embrenhado entre os eucaliptos. Saem duas mulheres de cada porta da frente. Ambas alegres mas de postura receosa. 
Observam em redor ao aproximarem-se. Uma trás um vestido floreado de cores tropicais, comprido, a outra trás um vestido mais curto, solto e de …

Compulsão contida

Momentos antes da conversa agradável, admirei a postura, profissionalismo e genuinidade. Ele estará no auge da idade adulta mas ainda revela inocência de menino na face, cora com facilidade e tem um sorriso tímido. Possivelmente o que me chamou a atenção foi a agilidade com que se move na sala cheia de clientes, muito mais do s que eu esperava, para um jantar de sexta-feira, familiar, de fuga à rotina.
Chegada a nossa vez, iniciamos uma conversa para aligeirar o atendimento automatizado. Alimentamos empatia. Afinal, também nós decidimos fugir da sobrecarga profissional e ali fomos para agravar o trabalho de outros. 
A cada visita á nossa mesa sorria com mais facilidade e continuava o tema intervalado pelo atendimento contínuo rigoroso. A determinada altura a imagem do menino, saído da escola com boas notas e responsável é dissipada. Confissões de alguém próximo admitindo o pé pesado que lhe trazem dissabores em forma de multas. Nessa altura o jovem de tez pálida e rosada admite tamb…

Escapadinha natura

O frio está instalado! Época de aconchego, mais tempo em casa, lãs, lareira, chá quente, meias indispensáveis....encantos de Outono e Inverno. Cada estação com o seu fascínio. Não sou de lamentar pela demora na chegada do calor. Sabes bem o quanto abomino a expressão "volta Verão". Tu, mais do que ninguém, conheces o quanto me custam as despedidas, neste caso do calor, dos dias longos e dos longos passeios e farras de exterior. Talvez pela absurda mudança de horário, ainda oficial, mas sem fundamento actual de existência. Suportas a minha birra, a maior parte das vezes a galhofar outras em empatia, acinzentamos a disposição juntos.

Passado este período de implicância, aceito a nova etapa e reconheço outros benefícios dos meses mais escuros. Há quem justifique por estudos e outros conhecimentos a relação entre hormonas e calor, é nesta altura que contrario o saber dos estudiosos. O namoro sabe tão bem nestas temperaturas, enroscamos mais, suamos menos, os nossos perfumes sua…

Yin-yang aluado

Entre muitos outros acontecimentos (alguns até muito agrestes), em 2017 a luta pela igualdade entre géneros incendiou internacionalmente. Desde a instauração do tumulto sobre o assédio nas redes e comunicação sociais (infelizmente o tema é divulgado de forma muito supérflua, pois abrange muito além do mundo cor de rosa) à recente lei vanguardista da Islândia que proíbe a desigualdade salarial. 
A Internet fomentou a cultura da informação: Conhecer além da nossa realidade. Globalizar as noticias e não só. Unir forças em prol de uma causa. No entanto, é nestas alturas em que chocam os guetos: no Nepal, apenas em 2017 se implementou uma lei para criminalizar o chhaupadi (uma antiga prática hindu que consiste em manter em isolamento ou discriminar uma mulher no pós-parto ou menstruada).

Comunidades onde nem a sabedoria ancestral prevalece, nem a cultura actual invade e esmorece os tabus instaurados. Já na Babilónica, idolatrava-se Isthar, a deusa da Lua, da terra, do amor, relacionada …

Regresso a borboletear

Finda mais um completo fim de semana. Estamos em meados de Outubro, um calor que ainda justifica a visita ao mar e muitos focos de incêndio pelo país nos quais tento não concentrar as atenções. Egoistamente prefiro minorar a revolta que gera com a ignorância. Entretanto a rádio dificulta esta tarefa.
A brisa evidencia a confusão do tempo: mistura o cheiro do Verão com a humidade de Outono, com ela surge alguma nostalgia. Perco-me em pensamentos, lembranças e reflexões ao som da musica. Paradoxalmente atenta, relembro a ultima leitura: O Cérebro – À Descoberta de Quem Somos. Divago no estudo do escritor, neurocientista - David Eaglemen. Não me lembro de alguma vez ter sentido o efeito do tempo parado. No entanto tenho imensas memórias e cada vez que as recordo revivo-as com mais ou menos detalhe, tendo algumas vezes a sensação de que o tempo na altura passou rapidamente e na memoria uma eternidade pelos detalhes evocados. Algo céptica com o estudo do senhor, que na introdução captou …

Delirante sobre-mesa

O Verão persiste em não terminar. Apesar do corpo já pedir o sossego dos dias mais frescos, é difícil ceder à lassidão quando se olha lá fora o sol radiante. As temperaturas ainda elevadas, para a época, estimulam o meu lado mais boémio. Assim, embora as férias já tenham sido consumidas há uns meses, está difícil sucumbir ás rotinas.
- Almoçamos juntos? Quero aproveitar mais um pouco de sol em conjunto.

- Tudo bem, mas terei direito á minha sobremesa? - responde-me assim, atrevidamente como hábito. Sorrio e não confirmo.

Simultâneamente com os dias quentes, fora de tempo, o trabalho tem sido mais intenso, e o cansaço domina-me facilmente. Alem de já sentir a alteração de estação mentalmente. Em tempos li um estudo que afirma que durante o mês de outubro, a maioria das pessoas dorme mais 2,7 horas por dia do que nos restantes meses, mas a qualidade e a profundidade do sono não serão tão altos como habitualmente, daí acabar por nos sentirmos constantemente sonolentos ao longo do dia, …

Quimera dissolvida em Mel I

"Dois é bom, Três é".... muito melhor! - Assim fantasiava muitas vezes em momentos de repouso com a de libido nos píncaros. Sonhos altos, quentes, de tal forma desejados até ceder a procurar registos cinematográficos de conteúdo para adulto. Quando o raciocínio recuperava forças, lembrava que tudo não passaria de mera fantasia. A timidez não permitiria viver tal loucura.
Com a idade e amadurecimento de conceitos e convicções, a desinibição para assumir fantasias surgiu. Em plena tertúlia noctívaga, questionada numa conversa sobre fantasias, sem recear repercussões, confessei a minha quimera nascida e aprisionada desde a adolescência. Alex (amigo circunstancial, impetuoso e muito tolo) diz conhecer alguém com quem deveria conversar.

Surpreendentemente Alex tinha razão. Houve um fascínio instantâneo entre mim e Mel. De tal forma que não esperamos muito para um encontro imediato. Logo, no dia seguinte, final de dia de trabalho, estaríamos, as duas entusiasmadas por trocarmos …

Quintessência potenciada

Vivemos trôpegos nas rotinas de trabalho. Mentes dormentes, absortas pelas rotinas impostas pela responsabilidade laboral. Depois do pico de energia sentido com a chegada do Verão, eis-nos novamente letárgicos á espera de férias. A ânsia pelo dolce fare niente consome-me o ânimo nos últimos dias. Para a restituição da minha salubridade mental, sinto uma necessidade premente do tempo de vacuidade. Nas poucas horas de lazer com a disposição frouxa, dedico-me a momentos calmos e passivos: leitura, reflexão, relaxe. Conduz-me a curiosidade da mente irrequieta em conjunto com o estado de alma e tropeço no "Elogio ao ócio" do matemático e filósofo Bertrand Russell (Nobel da Literatura). Surpreende-me ler quem estudou e fundamenta, em plenos anos 30, o quanto seria ideal o ser humano  trabalhar só e apenas 4 horas diárias; o quanto o lazer é produtivo para a sociedade, fomentando pensadores, investigadores, artes e toda a melhoria de qualidade de vida. Quem pode e sabe usufruir d…

Perfeitos desconhecidos I

- E como nos identificamos? - assim alcançamos a derradeira decisão.
A comunicação entre mim e Duarte tem sido realizada por mensagens sui generis, repletas em malícia e humor. Conhecemos muito pouco de cada um, até porque os interesses não passam pela individualidade e muito menos pela banalidade. Pelo contrário, desde o primeiro vislumbre de uma fotografia e comentário original, a intenção é o enigma e glamour.
Ainda elevamos a fasquia da ousadia na resposta á questão. Sugiro uma foto de oferta, assim identificarei procurando a mão com a imagem. Se nos anteciparmos e esperarmos por quem não conhecemos, peço a Duarte que me ofereça a imagem sensual por ele fotografada, surpreendendo-me. Ele contesta, quer algo mais. Quer um beijo quente! Assim, sem demoras e sem apresentações. Quer me diferenciar pela audácia.

Reconhecemos ser esta a aventura procurada. Poucas mais expectativas queremos alimentar! Partir em viagem em busca de desconhecidos. Ir ao encontro do dono do discurso humorís…

Dia Mundial das redes sociais

Vivemos numa correria constante. Sem conseguirmos usufruir de algo novo que depressa se torna obsoleto. Tudo é descartável. Tal como o "fast food", devoram-se momentos em prol do conforto em vez de os saborear!

Assim se tornou óbvio, em 2010, na era do mundo virtual tinha de ser comemorado um dia para as redes sociais. Celebra-se as "salas de convívio" actuais onde pouco se comunica e muito se visiona.
Recentemente, alguém me deu uma nova analogia para as selfies da moda partilhadas pelo mundo de desconhecidos: Efeito microondas!

Reconheço que o conceito é muito adequado! O forno de microondas não fornece calor, ele actua exclusivamente sobre as moléculas de água dos alimentos. As microondas têm alta capacidade de penetração na comida, o que possibilita a cozedura pelo interior e não a partir da superfície, como ocorre nos fornos convencionais. A energia absorvida aumenta a vibração das partículas, produzindo o aquecimento dos alimentos.

Estas partilhas intimas a…