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Uma homérica comemoração

Natalis: A palavra usada no latim para aniversário, sem que a mesma tenha conotação religiosa na integra. Esta comemoração existe desde o Egipto antigo, inclusive, inicialmente o cristianismo recriminava este festejo por considerar pagão. Apenas no século 4, a Igreja começou a celebrar o nascimento de Cristo, o Natal.

Entretanto, obliterando dogmas, faço questão de celebrar aniversários! Homenagear mais um ano de vida vivido o mais intensamente possível e, se exequível, fazer disso um natal: rodeado dos mais próximos e com presentes à mistura. Ao fim de alguns anos de vida juntos, contagio o meu mais que tudo com esta filosofia.

Alegra-nos sentir as pessoas próximas, a união, sorrir em conjunto e partilhar momentos únicos. Assim, no que concerne a presentes o desafio da surpresa torna-se maior. Cada vez mais sentimo-nos realizados com poucos bens materiais. Sinto necessidade, a cada ano, de antecipar as preparações do aniversario do meu companheiro de vida. Estamos em ano de mel. A nossa relação está em pleno e lembro-me de ceder a algo que me é muito solicitado. Quer pelo pragmatismo dominante em mim, quer pelo dia a dia exigente, não consigo proporcionar o romancismo, demonstrar o quanto me é importante.

Adiciono ao raciocínio que também estamos numa fase em que apreciamos cada vez mais o conceito gourmet. Apuramos paladares, sensações e acreditamos que a degustação do momento é que o torna eterno. Com este pensamento, depressa decido onde será o jantar: ambiente quase familiar, remodelado em decoração vintage, tons suaves, madeira quente e cativante e musica de melodia suave. Alimentamos todos os cinco sentidos além de saborearmos autênticos petiscos e bom vinho. Falta-me o elemento surpresa. Inicio a procura de sugestões cibernéticas e instintivamente, o tema acaba por se tornar em luxuria.

Relembro umas férias bem relaxantes, rodeados de natureza e o usufruto de uma piscina em vários aspectos com mil e uma ideias ainda por concretizar. Após alguns dias de indecisão e até alguma frustração pela parca criatividade, neste instante, surge um plano impetuoso. Uma suite de um motel é o mote.
A semana foi terrível. Os dias pareciam ter 48 horas. Quando se aproximou o frenesim das preparações, surgiu o deleite tão desejado.

O tempo está primaveril, sugere um vestido subtil. Apenas a cor é apelativa ao momento: bourdeaux. Faço questão que não seja revelada a roupa interior, preto e bege com intenção de manter o glamour. Também fui eu que lhe escolhi a indumentária. De calça preta de sarja, de modelo justo que salienta as curvas traseiras e sweater elegante de algodão. Encontramo-nos no hall aprumados e apreciamo-nos mutuamente e firmamos a satisfação com um beijo.

Durante a viagem, o entusiasmo apodera-se de mim . Não espero o jantar e anuncio qual é a surpresa. O presente é o pós jantar. Sorrimos e agora estamos empolgados em simultâneo.

Tal como previsto sentimo-nos bem no restaurante, pequeno em dimensões mas enorme na arte de bem receber. Fomos questionados sobre qual era a comemoração e prontamente presenteados com mais uma garrafa de bom vinho. A noite tornou-se longa em sabores, conversa, riso e álcool. Perdidos na consciência temporal acabamos por deixar o excelente ambiente em hora de lua alta. Nos primeiros passos sentimos o peso dos excessos. Não estamos aptos para retomar viagem. Decidimos seguir até à beira mar, exige-nos caminhar um pouco e aproveitamos para namorar. Paulatinamente retomamos o discernimento. Contrariada assumo, não conseguirmos aproveitar a noite para usufruir do presente que haveria planeado. Irritada aceito terminarmos a noite assim.

Domingo acordo  lentamente. Desencaixo da concha do meu mais que tudo e preparo um café. Vou ver a luz da manhã enquanto o saboreio e recordo, com alguma acrimónia, os excessos que impediram a estratégia surpresa. Embrenhada no acordar lento, sinto um abraço no corpo nu. Um beijo de bom dia e um sussurro : "Vais vestir a lingerie de ontem e quero o meu presente!"

Sorrio, viro-me e beijo-o. A presenteada sou eu. É assim que me sinto. Sexo matinal é uma excelente forma de despertar. Desta vez, apenas mudaremos de local primeiro. Em poucos minutos estamos prontos e ainda sou invadida por um pensamento - devemos comer algo. Fruta é o ideal para um bom pequeno almoço, recomendam os entendidos mas, acrescento uma insânia - champanhe e chantilly.

Entrarmos na suite foi como se integrássemos um império. Tudo em tamanho XXL. A decoração é sóbria mas majestosa. Assim que chegamos ao primeiro andar a ternura que me abraçava torna-se animalesca. Arranca-me o vestido de surpresa. Empurra-me contra a cama kingsize alta. Fico de bruços. É assim que encarno a entrega. Afinal faço parte do presente e digo-lhe "Sou tua,é assim que me queres?"

Desliza a mão pela minha coxa direita, sob a meia de liga preta, até tocar por trás do joelho, dissuadindo o movimento de flexão sobre o colchão. Responde-me em tom autoritário à minha provocação - "Quero que subas!" - fico de cócoras, de rabo enfesto. Recebo caricias pela minha espinha, até que a mão afaga os glúteos empinados e solta uma palmada. Sorrio de volta, aprovando a postura. Agarra-me o cabelo e beija-me. Da boca continua pelo meu corpo. Vou estremecendo e recebo novo mandato: Tenho de estar quieta. Tira a t-shirt e mergulha a língua no meu centro de prazer. Assim, sem demoras! Gemo e seguro-me nos lençóis.
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Sente-me inundar e sabe o prazer que me está a dar. As mãos que me desapertaram o soutien, invadem-me penetrando-me e fazendo me ansiar por mais. A cupidez torna-se cada vez maior e depressa somos um só. Em estocadas fortes no meio da cama gigante e fofa, extasiamos uma primeira vez. 

Os corpos estremecem libertando ainda a energia infrene e lembro que temos uma piscina à nossa espera. Digo que precisamos refrescar e dispo os poucos acessórios da indumentaria que sobraram no meu corpo : meias e sandálias de salto. Olho-o de sorriso no rosto, deitado ainda, e desafio a acompanhar-me. Responde que já se junta a mim, quer me observar primeiro.

Desço prontamente as escadas e mergulho na água morna. Adoro a sensação de liberdade, relaxamento imediato. Sinto-me eufórica e lépida em braçadas de lado a lado na piscina.Coloco-me sob a queda de agua e observo-te aproximar. Sentas nas escadas, nu vestido apenas com o mesmo sorriso de á pouco. Preciso do teu contacto de novo. Demonstrar-te o quanto estou em júbilo. Flutuo até ti, até sentar no teu colo. Namoramos e trocamos beijos ora ternos, ora tórridos. Reacendemos o desejo. Sinto a tua tesão crescente e puxo-te mais para dentro de agua. Iniciamos um "ritual de corte nupcial", como dois peixes, envolvidos um no outro. Encaixamos de formas nunca antes experimentadas: a flutuar, em flor de lótus, de costas, um autêntico kama sutra aquático.
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Não lembro em que momento abandonamos a água, mas em determinado momento tivemos de pausar para renovar calorias perdidas. Os morangos estão deliciosos. Trouxe o chantilly mas é algo que não aprecio e comentamos as diversas formas de aproveitar a ideia. De repente estamos a gargalhar. Ele sugere usar a mistura de leite doce, com excesso de gordura, como lubrificante. Iniciamos nova brincadeira no sofá de viga. Fico besuntada em diversos pontos erógeneos, onde ele se lambuza e me mordisca. Não sei de onde vem tamanha humidade do meu ventre e até o meu mais que tudo se surpreende por tanta tesão. Saborei-o  enquanto abocanha e suga os meus seios, penetra-me com os dedos e diz-me que vai abusar de mim. Escorro licor.

Colocado no meio do sofá, afasta-me bem as coxas e entra em mim, continuando a gastar o creme de leite. Penetra o botão de rosa já, excitado por antever o desejo. Provoca-me a restante libido com penetrações lentas e profundas. Sai de mim e passeia o cogumelo flamejante no rabinho. Solto um desejo em ânsia - "Quero-te!" - Entra muito lentamente no ducto apertado e inicia um entra e sai que me desvaria. Toco-me e pede-me um clímax em conjunto. Extasiamos rapidamente, olhando nos olhos um do outro.
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Falta muito pouco para a manhã terminar e com ela este jubilo.Esta é sem duvida uma inigualável comemoração. Voltamos à adolescência de tanto frenesim hormonal.

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