Avançar para o conteúdo principal

Mil e uma noites a quatro

https://img1.etsystatic.com/009/1/5693216/il_570xN.457186737_72ts.jpgA visita a uma feira medieval, relembra uma das fantasias que paira no subconsciente. Pelos vistos o glamour das vestimentas não deixa indiferente o nosso casal amigo e mesmo ali nas tendas recomeçam os jogos sedutores de palavras, olhares e sorrisos. Confidencio à minha amiga o que idealizo por breves tópicos. Ela acha muito interessante. Somos amigas intimas há algum tempo, sabemos que transbordamos sensualidade quando o queremos mas agora....descobrimos que também dançamos a dança do ventre. Tenho de aproveitar - penso eu!

Sempre que os seres masculinos se afastam vou-lhe contando o desejo e como nasceu, ao ver uma suite de um motel. Estou a conseguir espicaçar a curiosidade e sorrisos muito provocadores, que de vez em quando, captam a atenção dos homens. Por enquanto eles nem imaginam do que se fala.

Fazemos uma pausa para lanchar e a caminho da fila para as famosas sandes do evento, diz ela: vamos realizar a brincadeira? Vamos criar uma mil e uma noites e ser as odaliscas da tua fantasia! Deliro com a sugestão e esta proposta espoleta uma nova euforia. Estou como uma autêntica miúda. Vamos só as duas preparar o convívio e todos os detalhes para uma noite longa e cheia de glamour e sedução oriental. Aproveitamos logo o entusiasmo e nem deixamos para mais tarde a hipótese para adquirir as roupas.

Deixamos os homens com as sandes e as cervejas frescas e dirigimo-nos de novo às tendas para escolher as Khalige (soutiens adornados e sensuais e saias longas, transparentes como se de sete véus se tratassem). Agora estamos as duas entusiasmadas e os maridos já se aperceberam que tramamos alguma. No entanto, ainda não lhes vamos contar. Um dia destes...digo eu.

Passam alguns dias com uma troca de mensagens e telefonemas incessante entre nós, as novas adolescentes do momento. Eu decidi comprar uns biquínis a condizer com o momento e quanto lhe conto os pormenores, partilhamos gargalhadas com a minúcia adicionada. Descobrimos a noite ideal nas agendas e marcamos um jantar. Até la, temos o compromisso de ensaiar a dança sempre que se pode. Sabemos que não seremos as bailarinas mais profissionais mas daremos todo o nosso empenho ao momento.
Ao jantar, as nossas combinações continuam, estamos excitadissimas. Já se tornou uma diversão feminina. Quando dizemos aos maridos onde vamos a seguir, o brilho nos olhares incentivam e aprovam a nossa estimulação. Serão meros espectadores por alguns momentos, mas não muito. Depressa se tornarão actores do espectáculo e a mil uma noites a quatro será memorável.

Chegamos ao espaço. tal como o idealizava. A imagem faz jus ao real e estamos todos com ar de jubilo a admirar a mármore, os mosaicos, as cores, os detalhes que nos transportam para um espaço arábico. Iniciamos a nossa viagem. Nos sofás de pele em frente ao varão, pedimos aos maridos para se acomodarem, com a menor quantidade de roupa e ligarem o som que trouxemos (escolhido ao longo destes dias de muita conversa desconhecida para ambos), enquanto trocamos de roupa. Do quarto surgem muitos sorrisos femininos. Nada é descurado, ate a maquilhagem é alvo de retoque. Os biquínis são abertos, arejados, eróticos e confortáveis. Sentindo-nos elegantes e atraentes, decidimos avisar que se instalem que já serão entretidos.

Aumentam o som e surgimos por entre a madeira de tom escuro, talhada. Sentimos a sensualidade a florescer à pele e ao ritmo da musica representada nos movimentos de anca. Aguentamos mais uns segundos por trás da madeira que apenas deixa ver determinadas formas e cores. Trocamos olhares de cumplicidade entre as duas que nos indicam quais os próximos passos. Descer os poucos degraus e a caminho do varão que nos espera, os corpos ondulam, fazendo as saias esvoaçar e deixamo-nos guiar pelo som da musica estimulante. 

De frente para eles vê-mos e sentimos o quanto se estão a deliciar com esta estimulação visual. Têm o famoso sorriso no olhar, de quem não quer nem pestanejar, para não perder cada detalhe do que acontece. No centro das atenções, entregamo-nos ao erotismo, dançamos para eles e uma para a outra. De vez em quando as saias levantam um pouco mais, só para um espreitar sobre os biquínis. Existe algum comentário sobre os mesmos mas....não dá para prestar atenção. Entregamo-nos uma à outra. Deixamos de ser amigas, somos odaliscas que se namoram. 

Na segunda musica, o inevitável acontece. Tal como previa...os beijos. Ardentes por entre movimentos lânguidos. Os toques suaves mas cheios de intenção. Tentamos dançar como se de uma se tratasse. Por escassos momentos, esquecemos a audiência de testosterona. Não estamos quentes, estamos a ferver e não queremos parar. Muda o ritmo e....decidimos sair do centro.

Estamos em frente a eles. Eu digo...de forma suave: não nos toquem...ainda. Beijamos os nossos apaixonados e continuamos os movimentos, abanando os adornos dos peitos e logo de seguida soltando-os uma da outra. Ficamos com os seios desnudados e belos sob os véus esvoaçantes.
Estão ambos de boxers e fazemos questão de os tirar. Podemos admirar a rigidez que já se manifesta em ambos mas continuamos com um sincronismo na dança que nem o melhor plano fazia prever. Incentivamos a que se aproximem mais um pouco. Sentados lado a lado, sentamos nós também e agora...sentem os inovadores biquínis. Estamos quentes e húmidas e vocês quentes e duros conseguem nos sentir pelas tiras de pano finas. Damos um longo beijo as duas ao colo dos mais que tudo enquanto nos sentamos em profundidade...outro tipo de dança se inicia.

Os corpos suam, estamos em êxtase e relembro eu...vamos aproveitar a piscina. Vamos refrescar?

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Em folia no baloiço

«Carnaval» uma comemoração temática, tal como muitas outras, esvanece-se o motivo de tal celebração. O nascimento da palavra surge de carnisvalerium (carnis de carne + valerium, de adeus), indica o «adeus à carne» ou à «suspensão do seu consumo» Época de excessos para posterior jejum. Vestirmos personagens, esquecer o politicamente correto e dedicarmo-nos à folia.
Em mais uma pesquisa cibernética encontrei outro foco de diversão: o baloiço erótico. Lubricidade aliada à puerilidade de quem sempre apreciou baloiçar de cabelo ao vento, em idade mais tenra. 
Ambos empolgados com a nova fantasia, durante alguns dias foi o tema, intercalado na seriedade da rotina diária, que nos fazia sorrir. Ansiávamos cada vez mais pelo momento de brincadeira a dois. Não gostamos de premeditar estes momentos mas fantasiar deveria ser obrigatório a qualquer casal. São estes detalhes que nos unem e alimentam a cumplicidade.
Entramos no quarto, colorido, alegre, definitivamente carnavalesco. Avaliamos o esp…

Habitual serão genuíno

Recentemente alguém se surpreendia com uma das nossas brincadeiras; apanhados em toques de tornozelos sob a mesa, ouvimos: "Isso não é normal! Se fossem um casalinho juntos há um mês,entendia-se, agora vocês?!" - Gargalhei e fui capaz de uma resposta arrojada:

- "Vocês nem imaginam! Com o tempo isto só melhora!"
Estavas particularmente carente durante o jantar. Provavelmente, o vestido novo de tecido fino, denunciava a ausência de vestes interiores e isso terá sido apenas a acendalha das brincadeiras. Às vezes desejo que sejam assim todos os casais que conhecemos, desde familiares a amigos, vizinhos e conhecidos. Acho completamente saudáveis estes momentos de boa disposição no final de um dia rotineiro. Gosto de imaginar todos os casais felizes no regresso a casa, o derradeiro momento relaxante do dia a dia. 
Entretanto, naquele dia  estavas mais endiabrado. Mesmo com gente em casa, não resistias a provocar-me a pele sempre que por mim passavas. Depois do janta…

Intensos expectadores na natureza

Hoje a caminhada foi mais longa do habitual. Iniciei mais cedo, acordei com muita energia talvez pelos dias primaveris que finalmente chegaram. Entretanto, lembro: há muito que desejo conhecer a praia dos pescadores.

Consegui chegar mesmo na hora do arrasto artesanal do peixe. Observo todo o reboliço de longe e admiro todo o trabalho duro dos homens do mar. No entanto, após alguns momentos sinto o sol mais quente e preciso descansar um pouco. Embrenho-me um pouco na vegetação até encontrar o local ideal para sentar e relaxar com a brisa marítima a misturar-se com a frescura verde matinal.

Quando a azáfama acalma um pouco oiço um carro a parar perto. Consigo vislumbrar por entre os fetos do meu lado esquerdo, um jipe que estaciona embrenhado entre os eucaliptos. Saem duas mulheres de cada porta da frente. Ambas alegres mas de postura receosa. 
Observam em redor ao aproximarem-se. Uma trás um vestido floreado de cores tropicais, comprido, a outra trás um vestido mais curto, solto e de …