Avançar para o conteúdo principal

Porfia da cueca - parte 1

Os dias cresceram. Irrompem os primeiros raios de sol. Aquecem e esmorecem os dias gélidos e cinza de Inverno. Ressurge uma primavera antecipada. Consequentemente, tal como já fundamentado em muitos estudos sobre o impacto do sol no ser humano, advém a boa disposição. Assim surge a urgente apetência para sair, rir, dançar e contagiar quem me rodeia com alegria!

No entanto, confesso: não é só culpa do tempo pelo qual ando com o bom humor desperto. Até que a oportunidade ideal, para uma excelente noite boémia surja, tenho espairecido em navegações cibernéticas. Entrei recentemente em mais uma rede social que muito me entretém. Uma das razões pela qual me cativou, foi o convívio nas salas de chat. Reconheço, enquanto observadora das conversas dispersas, as alterações de disposição durante a semana: começam por segundas-feiras difíceis e sextas-feiras super agitadas. Ânimos mais efusivos pelo sol gerando empatia generalizada e ratificam assim os estudos divulgados sobre os benefícios da vitamina D.
X-art.com
Ali conheci Dora: menina - mulher, doce e que me supera na animação e energia. Assim foi que ao longo dos dias atiçou a minha atenção. O nosso discurso foi-se alterando com o tempo. Dora deixou a subtilidade esvaecer e eu abandonei lentamente o "low profile". Comecei por olhar de relance o perfil de casal, até prestar bastante dedicação aos detalhes das provocações fotográficas, simples e directas. Dora, roliça, de seios abonados transformou, em poucos dias, os singelos "olás"  em completas assembleias burlescas.

Não me recordo quando Leo (Leonardo) - marido de Dora - surgiu nestas tertúlias. Sei que, de vez em quando, surgia no chat e em poucas letras eu dava conta da masculinidade presente. Leo é menos efusivo, mais bruto, típico menino-rebelde. Foi ele mesmo que sugeriu uma reunião mais intimista noutra plataforma de comunicação. O que alimentou a minha expectativa de menino tímido.Opinião errónea que só se desvaneceu no primeiro encontro frente a frente.

Assim foi o começo de uma esplêndida amizade. Em poucos dias éramos companhia assídua uma da outra - eu e Dora. Fomentávamos esta relação com muita pândega. Eramos as primeiras no carro da montanha russa. A determinada altura passamos a seis foliões: eu e o mais que tudo, Dora e Leo e Alex e Xana. Seleccionamos uma elite da gargalhada: desde conversas libidinosas a provocações mutuas. Em pouco tempo era necessário tornar real toda esta diversão e confirmar a tesão existente.

Depois de já muito se falar de um convívio, morangos, vinho ou champanhe, aproveitei um post cibernético e soltei a primeira audácia. Assim desejei confirmar a ânsia que já se tinha instalado. Dora e Leo cativaram-nos e seduziram-nos pela genuinidade, já Alex e Xana pela postura nobre e doce. No passar dos dias Alex revelou-se muito mais tímido do que Leo. Ambos estimulavam a minha libido mas Leo elevava a provocação. Também o encanto inicial por Dora estava completamente instituído.

Existem muitas definições para o conceito amizade e apesar de não estarem todas estabelecidas nesta altura, sem grande justificação já considerávamos Dora e Leo amigos. Paixão pelos seres, excelsa empatia sem segundas intenções. Que dure o tempo que for mas este é o nosso ideal de amizade a colorir! Apesar de nunca nos termos envolvido com ninguém num primeiro encontro, nem tal ter sido ponderado, a tesão era crescente e essa possibilidade começava a surgir na mente!

Foi Alex quem sugeriu algo mais que um café. Realmente com tanto picanço mútuo precisamos de mais do que o gole de um expresso. Surgiram as primeiras meras sugestões: jantar, local, clube e o desafio entre mim e Leo continua crescente. Se um diz "mata" o outro responde "esfola". Com Leo sinto-me a teenager rebelde, com Dora torno-me o reflexo da provocadora que ela é!

Não devemos ser os únicos nesta ânsia pelo calor e luxuria, pois começam os clubes, por esta altura, a promover festas com motivos muito criativos : orgias romanas, festa sem cueca, festa da lingerie. Estes festejos inflamam a porfia cibernética. A determinada altura ao meu arrojado convite recebo de volta uma proposta indecente, confirmando toda a cupidez que nos invadia. Assim fazia sentido que após um jantar, de mera cortesia, fossemos a um clube de swing. O local estava escolhido, em território neutro para ambos mas quase em casa de Alex e Xana. Algo que se viriam a arrepender pois não sendo swingers arriscaram a boa índole num restaurante de elevado nível.

img etiq p utiliz n comercial (googl)
Havia muita hesitação na marcação do encontro, talvez pelo êxtase dos intervenientes. Deixamos que Alex e Xana (os menos efusivos) decidissem a data e o jantar. Assim dedicamos as nossas atenções ao serão com muitas desculpas a dar pela noite dentro - pelo menos era assim que eu imaginava. Leo deveria ser como o proverbio "cão que ladra não morde" e com esta ideia sentia-me à vontade para elevar a porfia.

Escolhemos um clube modesto mas com uma sensual festividade: noite da mascara! Ideal para fomentar o êxtase. Aliar alguma sensualidade ao momento, no caso de ainda haver duvidas da inexistência da mesma. Como a cupidez é em demasia a capa e máscara não chega para Leo e lança a porfia :  Requisito da indumentária: sem cueca!


Continua.....

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Unicórnio domado I

Escolhi chegar mais cedo, com o desejo de que o tempo de espera abrandasse a inquietude interna. Sentei-me num dos bancos, do lado menos movimentado da estação. A intenção era manter-me em discrição, apenas observar. Queria-a admirar de longe, quando chegasse. Queria-a ver procurar-me com o olhar. Imaginava o quanto estaria ela ansiosa na longa viagem. Seria o desejo dela por este encontro tão desmedido como o meu?

Fiquei novamente com a sensação de estar a viver no limbo. Esse mesmo sentimento a causa do nosso primeiro arrufo e afastamento precoce. Mania da desconfiança!

Fez mais de um par de anos desde que conversamos, continuadamente durante um mês, num chat, até nos voltarmos a cruzar no mundo cibernético. Não foram as fotos que me cativaram pois ela não tinha as curvas desnorteadoras e as poses não eram carregadas de sensualidade. Foi uma simples mini t-shirt, estampada com um dos meus desenhos animados preferidos, o mote do primeiro tema. Surpreendi-a logo aí. Ela deixou-se con…

Em folia no baloiço

«Carnaval» uma comemoração temática, tal como muitas outras, esvanece-se o motivo de tal celebração. O nascimento da palavra surge de carnisvalerium (carnis de carne + valerium, de adeus), indica o «adeus à carne» ou à «suspensão do seu consumo» Época de excessos para posterior jejum. Vestirmos personagens, esquecer o politicamente correto e dedicarmo-nos à folia.
Em mais uma pesquisa cibernética encontrei outro foco de diversão: o baloiço erótico. Lubricidade aliada à puerilidade de quem sempre apreciou baloiçar de cabelo ao vento, em idade mais tenra. 
Ambos empolgados com a nova fantasia, durante alguns dias foi o tema, intercalado na seriedade da rotina diária, que nos fazia sorrir. Ansiávamos cada vez mais pelo momento de brincadeira a dois. Não gostamos de premeditar estes momentos mas fantasiar deveria ser obrigatório a qualquer casal. São estes detalhes que nos unem e alimentam a cumplicidade.
Entramos no quarto, colorido, alegre, definitivamente carnavalesco. Avaliamos o esp…

Assim nasce ... uma cruzada iluminada!

É na viragem do ano que muitas pessoas refletem sobre o balanço do mesmo. Não o costumo fazer mas é quase inevitável não pensar no tema. Prefiro outra altura, também marcante mas mais pessoal, só minha. Sigo o lema: Um ano novo é quando o Homem quer! (adaptação) - afinal os orientais não comemoram na mesma altura que os ocidentais (sendo o próximo a 5 de Fevereiro) e há algum tempo atrás, antes do calendário gregoriano, o ano novo era celebrado apenas a 1 de Abril!
Os últimos tempos têm sido intensos em crescimento, em emoções em ... viver! Devota do conceito mindfulness, tento usufruir muito mais do momento, talvez seja o amadurecimento a dar ares da sua graça. Quando revivo o passado, sinto uma espécie de ritual de conclusão e por isso, abominando as despedidas, dediquei-me menos a este cantinho de ócio. O monopólio pelos momentos e memórias é cada vez mais renitente.

Comum a qualquer ser, aqui ao outro lado do globo, recordo o drama, a doçura, alegria, amizades que se firmaram e o…