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Porfia da cueca - parte 2

O frenesim estava instalado! Foram 15 dias de animação. Havia borboletas no ventre e sorrisos rasgados. As picardias e desafios eram constantes entre todos. Até Xana, a mais inibida, se mostrava um pouco mais agora nas teclas. Houve muita gargalhada e era essa a maior expectativa para a assembleia: um serão rico de alegria e animação. O desafio constante entre mim e Leo exigia que de vez em quando a seriedade emergisse. Surgia a necessidade de salientar que podia não haver swing, uma forma de controlar a tesão crescente.

A porfia da cueca lançada por Leo deixava-me ligeiramente apreensiva. Não sabia mais se ele falava sério ou se era mera provocação. Não imaginava o menino indomável elevar a rebeldia a tal. Tinha-se instalado um paradoxo na minha mente.
Ir nua, mesmo que fosse no interior, não fazia sentido! Era ceder, disponibilizar de forma fácil! Despida em frente a estranhos fazia-me sentir frágil de forma absurda. Por outro lado havia uma certeza: não queria desistir! Depressa consegui uma assunção de compromisso!

Entretanto, a festa escolhida também se revelou um foco de incentivo à libido. Máscara e capa era a indumentária estabelecida pelo clube. Uma espécie de réplica da famosa "Eyes Wide Shut". Por casa estávamos entusiasmados pela nova experiência. Imaginar a sensualidade do momento era muito afrodisíaco. Apesar da plena noção de nada ser obrigatório decidi investir numa lingerie adequada. Um corpete iria ser a peça ideal por baixo da capa, se a minha desenvoltura me surpreendesse para tal.
O dia chegou. Estamos mais ansiosos do que alguma vez estivemos. Refreamos um pouco os animos durante a manha nas teclas mas há uma inquietude interna difícil de desvalorizar. Há uma mescla de emoções e adrenalina constantes.Quero muito esquecer as expectativas porque essas são origem de decepções, mas é extremamente complexo!

O alvoroço das borboletas recomeça quando se inicia viagem. Autênticos putos eufóricos, assim nos sentimos. O mais que tudo acredita na porfia e vai sem boxers. Eu toda aprumada de vestido justo, mais curto do que o que me lembrava o que fez com que voltasse atrás para colocar na mala umas leggings. Afinal vamos a um restaurante e não quero ser alvo de olhares censuradores. Alex, o fautor do encontro, reacende a provocação com uma foto da Xana, enquanto nos esperam. Prontamente respondo na expectativa do retorno de Dora. Mais um arquétipo das provocações dos últimos dias.

Depois de algum transvio do local do encontro e consequente atraso, deslocamo-nos até ao museu da cerveja, onde já nos esperavam. No entusiasmo ou domada pela provocação, esqueço as leggings.  Percebendo que o espaço requeria algum requinte, sinto falta delas mais tarde. O ambiente estava agradável. Dia de sol e esperavam-nos no lounge exterior. O meu sorriso interior era muito maior do que aquele que os cumprimentou.

Dora, mesmo de relance era tal e qual como a conhecia. Alex um cavalheiro, de muito bom trato e sorriso no olhar. Tentava absorver tudo em nanosegundos. Leo pediu para me sentar ao lado dele. Também ele correspondia ao perfil de menino rebelde. Muito senhor de si, entusiasta e cheio de malícia no olhar. Queria estar mais perto de Dora mas, na realidade, não sinto desconforto. O espaço é muito agradável e os risos agora ganham mais vida. As conversas fluem e vamos no segundo copo. Não percebemos o tempo passar, a não ser pelo por do sol que indica a hora próxima para o jantar marcado. 

Continua....

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