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Delirante sobre-mesa

O Verão persiste em não terminar. Apesar do corpo já pedir o sossego dos dias mais frescos, é difícil ceder à lassidão quando se olha lá fora o sol radiante. As temperaturas ainda elevadas, para a época, estimulam o meu lado mais boémio. Assim, embora as férias já tenham sido consumidas há uns meses, está difícil sucumbir ás rotinas.

- Almoçamos juntos? Quero aproveitar mais um pouco de sol em conjunto.

- Tudo bem, mas terei direito á minha sobremesa? - responde-me assim, atrevidamente como hábito. Sorrio e não confirmo.

Simultâneamente com os dias quentes, fora de tempo, o trabalho tem sido mais intenso, e o cansaço domina-me facilmente. Alem de já sentir a alteração de estação mentalmente. Em tempos li um estudo que afirma que durante o mês de outubro, a maioria das pessoas dorme mais 2,7 horas por dia do que nos restantes meses, mas a qualidade e a profundidade do sono não serão tão altos como habitualmente, daí acabar por nos sentirmos constantemente sonolentos ao longo do dia, apesar das horas a mais de sono. A causa estará na desagradável diminuição dos dias. A diminuição da exposição solar está relacionada com o nosso ritmo saudável circadiano. Contrariada com estas alterações, quero poder viver em folia mas como já dizia Variações: o corpo é que paga! 
A manhã foi um destes momentos intensos: reuniões, alterações no dia a dia, conflitos internos e muita burocracia, o almoço diferente será uma lufada de ar fresco antes de completar a jornada.

Decidimos algo mais íntimo e sossegado e ficamos por casa. Preparamos algo rápido para logo de seguida sentar um pouco no sofá. Aqui o provocador do sol invade o espaço, aquecendo e alegrando o ambiente. Momento ideal para ler as notícias do dia em completo ripanço.

- "Sei que estás cansada, mas podes ficar exactamente assim enquanto usufruo da minha sobremesa!" - Fico um pouco incrédula ao ouvi-lo desafiar-me, no entanto não debato sequer e cedo. Deixo-o despir-me as leggings bordeaux e para que não me amarrote a blusa, removo-a logo de seguida. Em lingerie, inicia o seu deleite com suaves beijos nas minhas coxas, delimitando e aproximando-se da fonte de néctar de ninfa.

- "Este teu perfume deixa-me louco!” – ouço estas palavras mesmo antes de sugar a ostra que despe lentamente.
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Tento concentrar os sentidos em cada beijo, cada sugar mas em poucos minutos estou completamente desnorteada. Esqueço os músculos cansados pela folia do fim de semana, esqueço os compromissos profissionais agendados logo ao inicio da tarde e depois de o ter puxado para mim, sem sucesso, gemo um “quero -te!”

Bruscamente afasta os boxers, impulsionando o seu falo nu na minha direção mas não permite que entre em mim. Fica só na entrada da fenda humedecida, aumentando o meu desespero. Assim, balanceio eu a anca e engulo todo o seu tesão. Iniciamos assim a posse dos corpos numa dança ritmada de penetrações profundas e algo fortes.

O local escolhido para estes movimentos não é o mais adequado. Estamos constantemente em queda na ponta do sofá. Decido virar-me de quatro. Os meus instintos animalescos foram despertos. Sentir-me completamente domada neste espaço confinado está a tornar-se um autêntico duelo. Por momentos olho em frente e surge uma ideia .

Fujo repentinamente deixando-o observador. Subo com um joelho numa das cadeira da sala e alço a outra coxa na mesa. Deito o tronco sob a mesa e sei que neste momento estou ao dispor para ser o deleite dos dois. Sei que vê o quanto jorro de licor de desejo. Imagino-o ainda sentado a olhar-me em oferenda total e questiono: "Não querias a sobremesa? Aqui estou, quero ser a tua puta agora! Sem demoras….anda!"

Encaixa em mim o seu corpo. Possui me com vigor. Segura-me pela nuca e confessa o quanto o estou a ensandecer. Começa a balbuciar timidamente ordinarices até que se apercebe que hoje é mesmo assim que me tem. Sobe mais sob mim. Não consigo ver mas imagino a pose acrobática. Ameaça ao ouvido que vai tomar tudo a que tem direito. Já não consigo responder. Estou enebriada em prazer e os meus gemidos apenas surgem com mais vigor em anuência.
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Retira-se do meu interior em vulcão. Roça a tesão no meu latente botão rosa e ouço-o sussurrar-me: “ Queres que te inunde de leite? Queres? Vem-te e vais me sentir em toda a força! “

Atingimos os dois imediatamente o clímax intenso. Nos primeiros segundos de retorno ao discernimento consciência, de respiração ainda ofegante, desabafo: “Fodasse estamos atrasados! “

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