Possivelmente, em breve, saberemos se esta época surtiu o mesmo efeito da técnica utilizada na procriação na área pecuária: limitando os animais a lugares cercados, em alturas de cio, estes libertam a libido com a escolha dos seu donos deixada nos mesmos confins.
Não fosse o clima de medo e o excessivo acesso à informação aos números da Covid-19, também todos nós nos dedicaríamos muito mais ao prazer da carne.
A incerteza de um futuro (ou até mesmo presente), a constante preocupação com os mais próximos e toda a informação cientifica, anulou a minha gula até uma determinada conversa, a dois;fruto de uma das maiores qualidades na nossa relação: a constante comunicação.
A certa altura desabafava eu sobre o meu desejo hibernado e ele, com uma
presunção característica, dizia que sabia como o despertar. Desta vez,
cheguei a duvidar.
No entanto, este confinamento presenteou-nos com outros benefícios: as longas caminhadas em namoro
foi apenas um dos mais apreciados. Estes passeios permitiram conhecer melhor a historia, lugares e cidade com origens vincadas na agricultura. No frenesim do dia a dia estes caminhos, mais calcados na era feudal, não são tão visitados. Estas caminhadas reavivaram desejos de outrora e novas fantasias espoletaram.
Ele lembrou da garagem comum no prédio e eu confessei o quanto olhava com outros olhos para lugares recônditos nestes passeios. Ele ficou surpreso e desejoso de explorar as ideias. Foram alguns dias de conversas animadas e brincadeiras até que as mesmas fossem exploradas num final de tarde primaveril.
O primeiro lugar muitas vezes fantasiado foi para onde o puxei para roubar um beijo. Aconchegados entre as paredes laterais do posto de transformação eléctrica, trocamos as primeiras caricias como se uma viagem no tempo se tratasse; regressamos ao tempo de escola. Nesse dia esse avanço foi a licença dele, para decidir alterar o nosso trajecto de repente.
Caminhamos até ao antigo lavadouro público. Assim que lá chegamos, sorrimos e sem nada a acrescentar em palavras, descemos os quatros pequenos degraus que nos ofereciam alguma privacidade. Acocorada no primeiro canto esquerdo, fiquei com o sorriso ao limite da cintura dele. Aproximando-o mais ainda de mim, descobri o seu membro, baixando apenas um pouco a cintura das calças de treino. Sem demoras abocanhei-o. Quis senti-lo crescer na minha boca. Quais sentir cada pulsar, a cada degustação. Brinquei com a língua e o olhar em simultâneo por cada suspiro sentido. Entretanto, o som de uma persiana a descer originou um movimento brusco que puxou para a vertical.

Um abraço e um sussurro: - "Também eu quero te saborear!" - Nesta altura desejei ter trazido um vestido. Virei-me e descendo ligeiramente as minhas calças, encaixei facilmente o falo latejante no meu ventre. Apoiei-me no tanque, oferecendo mais o quadril. Lenta e profundamente senti cada centímetro até á profundidade. Entretanto, o som de um motor na estrada, logo ali acima das nossas cabeças causou a interrupção do momento. Saímos do lugar perfumado pela humidade. Do outro lado da margem do riacho, o agricultor terminava a jornada. Terá ele nos visto?
Extasiados pelo momento, sentimos as primeiras gotas de uma leve chuva típica desta altura. O mote perfeito para a invasão da casa de pedra devoluta logo na rua seguinte. Aquele lugar também havia sido alvo de pensamentos comuns.
Não era fácil caminhar pelas pedras caídas e pela vegetação indesejada. A libido tinha tomado conta do raciocínio nesta altura senão não teríamos avançado. No interior o piso era muito irregular e inseguro. Restavam umas escadas que indicavam um piso superior, agora desaparecido. Foi mesmo aí que ele me baixou as calças até aos joelhos e se sentou sob mim. Bebeu do meu licor cada vez mais desperdiçado na calcinha preta e fez-me ensandecer. Imprevisivelmente um clímax chegou, dominada pela boca, dedos e a mestria de tantos anos em convivência.
Ele não quis terminar ali a latência nas suas calças. Inebriada pelas hormonas da felicidade, retomamos o caminho de casa. A luzes da noite chegavam quando entramos pelo portão da garagem. Não me dirigi ao elevador. Encostei o meu corpo sobre o pilar em frente ao mesmo e agachei. Ouvi-o pedir para não ser gulosa mas ele sabia, aproximando-se e oferecendo-me a sua tesão, agora era meu.
Sorvi cada gota do seu néctar. Dominou as estocadas até perder as forças, deixando-me saciada de prazer. Em silêncio subimos para casa.
Pediu para vestir o vestido florido, agora queria apreciar o meu corpo. Acedi e despi-me completamente á sua frente. Coloquei apenas o vestido e dirigi-me á cozinha para preparar um jantar leve. Nestes momentos a comunicação é muito mais com olhares e movimentos. Depois de uns momentos perdida nas novas loucas memórias, sinto-o por perto. Abraça-me por trás e sussurra:
- Ainda não acabamos. Quero-te sentir minha!
Reproduz uma cena de cinema, logo de seguida a uma ida ao frigorífico. Passa os dedos gordurosos pelo botão rosa e introduz lentamente o plug guardado durante os últimos tempos. - "Logo depois do jantar temos de visitar a garagem de novo!"
Estamos de volta aos tempos de outrora. Dedicados ao prazer, esquecidos de preocupações por mais uma noite.
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